19 de out. de 2009

Bienvenidos a Argentina.


Em poucos minutos de viagem já chegamos na fronteira do Brasil com argentina, e apartir dai  já podemos sentir um pouco das diferenças entre um país e outro, quase todos os policias estão com seu mate em mãos mesmo quando atendem um viajante, aqui já não se fala mais português ,porém ,a música que toca no banheiro da alfândega em na voz inconfundível do brasileiríssimo Zé Ramalho.

Quando chegamos ao lado argentino do Foz o dia não era muito bonito e fazia frio mas, já que estávamos lá fomos fazer nossa caminhada de 2 horas até chegar a cascata principal conhecida como garganta do diabo. Durante todo o caminho vamos encontrando grandes e pequenas cascatas, cada um com  um toque diferente, também vamos encontrando diferentes tipos de animais. Foz além de um lugar lindo é um lugar de muita energia, é um dos lugares que você pode ter um contato muito próximo a natureza e ao mesmo tempo poder sentir o seu poder. É impressionante a força da água caindo a todo instante em uma quantidade absurda e turistas de todo o mundo parados, estáticos e encantados com o barulho ensurdecedor e com sorriso enorme por estarem sem molhados por centenas de gotinhas de água que respigam das cataratas. 

 
Por sorte no final do dia quanto já faltava pouco para irmos embora o sol resolveu dar o ar da graça, e podemos desfrutar da linda paisagem com a presença do arco-íres. 

Mesmo agora com meu espanhol bem melhor, não podia passar desapercebida pelos argentinos, que simpaticamente faziam piadinhas sobre a esperada partida de futebol entre Brasil e Argentina que haveria nos próximos dias, eles me sugeriam placares absurdos como Argentina 5 e Brasil 2, parece piada né? Mas, nossos visinhos podem sonhar, só que gloriosamente o Brasil ganhou. hehehehehe. Coitado do Maradona vai morrer do coração.

Em Puerto Iguaçu pegamos um ônibus até a capital Argentina, vale ressaltar que os ônibus na argentina são muito confortáveis e eu diria ate que são bem luxuosos, neles tem camareira que te servem comidas, vinhos e café quando queira.

 

A capital sul americana com ares europeu é repleta de cafeterias onde os argentinos costumam passar a tarde tomando um cafezinho e lendo jornal, O centro de Buenos Aires é repleto prédios com arquitetura que logo nos lembra Europa. Em Buenos Aires você não precisa de muito tempo para ser contagiado pelo ritmo latino do tango. Por todas as partes tem casais dançando tango em troca dos aplausos dos turista e claro! De alguma graninha também. 

Lá também fomos conhecer o Caminito, a rua mais colorida e cheia de vida que já vi. Os argentinos são muito artísticos e por todas as partes da cidade tem gente vendendo quadros, tocando músicas, cantando, dançando, em fim o que a imaginação deles permitirem. Buenos Aires é uma das cidades grandes mais gostosas de se passear que eu já conheci.

 

 
 
De Buenos Aires seguimos para Bariloche, que também tem semelhanças com cidades serranas européia. Quando você esta foram de seu país é legal encontrar alguns conterrâneos, mas aqui não! Em Bariloche já não queria mais ver brasileiros, mas eles estão espalhados aqui nesta cidade por todas as partes, e mesmo com todo alvoroço da gripe suína não se renderam a tentação de viajar e apreciar as lindas paisagens serranas argentinas e além do mais desfrutar da neve, que nosso país tão gigante não possiu.
Bariloche é conhecida por suas pistas de esqui e os deliciosos chocolates e muito vinho, que por sinal são muito baratos.


 
De Bariloche fomos a Perito Moreno visitar o glacial. O glacial é mais um lugar indescritível. O glacial tem 14 quilômetros de extensão, onde nossas vistas já não podem mais alcançar e 50 metros de altura de cor azulada.  É fantástico, apesar do frio congelante. O glacial tem o gelo mais puro do mundo. Tem pessoas que fazem tour, só para tomar uma dose de uísque com algumas pedrinha do glacial.
Em Perito Moreno vi pela primeira vez nevando, e posso dizer que é mais divertido que chuva e mais bonito.

 
Saímos de Perito Moreno e fomos visitar El Chalten, uma cidadezinha quase no meio do nada rodeada de montanhas nevadas, que nos permite chegarmos perto do Fiz Roy já que não podemos escala a segunda montanha mais difícil do mundo. Para chegar até lá fizemos uma longa e difícil caminhada, subindo montanhas com muita neve durante 8 horas, que faz do lugar ainda mais bonito.Na longa caminhada fizemos cinco amiguinhas que nos fizeram companhia durante todo o caminho que acho que manteremos contato por algum tempo.

Na terra dos nossos vizinhos não podíamos ter deixado de provar sua famosa carne. O churrasco argentino é o mais macio que já comi em minha vida, ele sempre vem acompanhado de muito vinho que ajuda a esquentar o clima frio. Os vinhos lá são muito bons e muito barato, posso garantir, e olhe que eu não sou adepta de bebidas alcoólicas.

Lá também descobri que o melhor amigo do argentino é o cão, por todas as partes e todas as casas tem um cachorro, isso já virou um problema, as ruas argentinas estão cheias de cachorros a maioria muito bonito, porém, abandonados.
Os homens argentinos se cumprimentam sempre com beijinhos no rosto, forma afetuosa que é impossível de acontecer no Brasil, confesso que achei bonitinho e carinhoso.
Agora vai um conselho para que deseja conhecer o país principalmente se você é brasileiro, esta terminantemente proibido falar sobre futebol, isso pode te valer uma recepção amigável, tirando isso os argentino são muito simpáticos e atenciosos ao contrário do que muita gente fala no Brasil.

Para quem gosta de baladas, as festas argentinas não começam antes da meia noite normalmente são bem agitadas e animadas e nunca tem hora para terminar e quase sempre rola uma músiquinha brasileira para animar.
Adorei o café da manhã argentino, a geleia é subistituida por doce de leite e quem me conhece bem sabe que por doce de leite sou como uma formiga. Eu nem reclamava ter que comer todos os dias pão com doce de leite. Acho que no Brasil também deveria ser assim.

18 de out. de 2009

"Brasil meu Brasil brasileiro"!!!

Depois de uma longa viagem no trêm da morte, finalmente chegamos a Corumbá, fronteira entre Brasil e Bolívia. Agora com uma ansiedade enorme de chegarmos logo em casa, mas é logico que a partir daqui já podemos nos sentir um pouquinho mais em casa. Aqui podemos falar português e comer feijoada.
Para não perder o costume de mochilar, nosso trajeto até em casa fomos fazendo paradas e aproveitando pra conhecer um pouquinho de nosso país, quer dizer, acho que posso falar “nosso” porque que Carles já é mais brasileiro que qualquer outra coisa.
Depois de seis meses fora do Brasil vocês não fazem idéia a nossa alegria ao tomar o primeiro café da manhã brasileiro depois desse tempo, poder ver a mesa cheia, ter um monte de variedades de suco, queijo no café da manhã parecia incrível, já que no restante do suldamerica só existe o café continental ou americano. He! Talvez muitos estejam pensando como eu a primeira vez que pedi um deles, claro continente é tão grande e diversificado então o café da manhã deve ser uma maravilha!!! Quem pensa assim esta enganado porque é o café da manhã mais sem graça possível, não é nada mais do que pão, se você tiver sorte é um pão feito no dia e geléia, café só se for instantâneo, e no americo é acrescentado um ovo que você pode escolher se deseja mexido ou inteiro, satisfeito? He, agora entendem por que tanta alegria em poder saborear o café brasileiro?

Já em Corumbá fomos visitar o pantanal, para os amantes da natureza e do sossego, lá é um lugar maravilhoso, apesar de esse ano ter sido o mais seco nos últimos 30 anos no pantanal ele não perde seu encanto. Encontramos diversos tipos de animais, Desde jacaré a tucano, bom, jacaré por lá tem muiiiiitos, alguns tucanos já estão familiarizados com a visita constante de turistas, a gente pode até provar alimentá-los na boca, vimos também o lobo guará, que diz que não um bicho muito fácil de encontrar, capivaras que são o maior roedor do mundo, lá a presença delas são constantes as mais atrevidas caminham livremente entre os jacarés, corajosas não!?

 
 
Os dias de pantaneiros foram cheio de atividades, claro que no estilo do pantanal. Saímos para pescar, passeios a noite de barco para ver jacarés, em safáris as quatro horas da manhã, andamos a cavalo e fizemos longas caminhadas a procura de animais. 

De Mato Grosso do Sul fomos pra São Paulo a terra da garoa! La também não podíamos ficar parados e aproveitamos para visitar o litoral paulistano, seguindo para Guarujá, onde Carles tem alguns parentes.

 
Ficamos dois dias em Guarujá e agora eu e Carles vamos arrumando as mochilas porque agora vamos nos separar. Eu sigo pra Bahia, e Carles sobe um pouquinho mais até Fortaleza.
Passados 20 corridos dias que ficamos em casa e aproveitando tudo que fora do Brasil não encontraríamos tão fácil, principalmente família e comida, hehehe. Nossa última semana foi de muito churrasco, e no ultimo dia não podia faltar a garangueijada.
Antes de embarcar já da uma saudade enorme, quer dizer são sentimentos misturados porque ao mesmo tempo em que você gostaria de ficar tem vontade de colocar as mochilas nas costas e descobrir tudo que ainda esta por vir.
De Fortaleza fomos mais uma vez a São Paulo, agora era minha vez de visitar a família paulistana, passamos dois dias na terrinha e logo seguimos para Foz do Iguaçu.
Em Foz claro! Fomos conhecer as cataratas do Foz do Iguaçu, esta na divisa entre Brasil e Argentina, como não tínhamos muito tempo tínhamos que escolher que lado conhecer, argentino ou brasileiro, nós informamos bastante e por fim fomos ao lado argentino, que é bem maior e pode ver mais coisas. Agora já estamos na terra de nossos visinhos argentinos, então essa parte vão ter que ler na próxima postagem.

26 de set. de 2009

Bolivia



Saimos de Puno, Peru e em apenas três horas de viagem chegamos a Copacabana, não! Não chegamos ao Brasil e sim na Copacabana boliviana. Copacabana é um povoado que da acesso as ilhas do Sol e da Lua que ficam ainda no lago Titikaka.



Na parte boliviana as ilhas já não são flutuantes, mas são muito bonitas, rodeadas de montanhas nevadas e a água do lago super azulada, que nos permite 3 horas de uma caminhada com pelas paisagens.


 
 

A ilha do sol carrega consigo as marcas da cultura inca e seus habitantes também, eles só falam quéchua, alguns aprendem espanhol para facilitar e incentivar a vida dos turistas. Lá aprendemos mais um pouco sobre a cultura inca e caminhamos o dia inteira apreciando a bela paisagem.


 
Agora sejam bem vindos capital boliviana, La Paz. A mais desorganizada e caótica capital sul-americana que conheci. Nas ruas os pedestres disputam espaço com os carros que também competem com os vendedores ambulantes. Chegamos por volta das meia noite e mesmo assim tivemos que visitar pelo menos quatro hotéis ate encontrarmos um que estivesse em condições razoáveis para passar uma noite. Todos são super velhos e os atendentes nada simpáticos. 



 
 

A partir de La Paz descobrimos que papel higiênico pode ser algo de muito luxo em um hotel, em quase nenhum possui papel higiênico nos banheiro, e se a caso você precisar não precisa se deslocar muito porque tem gente vendendo por todas as partes das ruas. Água quente no banho também era uma coisa quase impossível, e olhe que lá fazia um frio horrível. Não adianta reclamar que eles sempre terão uma esculpa pra dizer que a culpa é sua a falta da água quente, talvez você tenha demorado no banho, ou talvez você demorou entrar.Passamos um dia na Capital e já foi o suficiente para sair de lá o mais rápido possível.


Em La paz pegamos um ônibus para Oruru. Essa viagem será lembrada para sempre. Durante o caminho passamos por lugares onde as temperaturas eram baixíssimas chegando ate -14 graus. Por nossa “sorte” o ônibus estava com o aquecedor quebrado e as estradas eram horríveis. Nós e todos os turistas do ônibus passamos a noite inteira acordados, o frio era tanto que teve momentos que não era possível sentir ao menos meus pés. Eu e Carles quase entravamos um dentro do outro tentando uma forma de se aquecer e nada. Foi a noite mais agonizante da viagem até agora, pensei que não fosse chegar nunca. 




Quando finalmente chegamos contratamos um tur de três dias, para visitar acredito eu que o lugar mais procurado pelos turistas que vão a Bolívia, Solar de Yiuni, Com já se diz o Solar é o maior deserto de sal do mundo, tem mais de 240 km e com 10 metros de profundidade. Eu nunca imaginei que poderia caminhar em cima de uma quantidade enorme como essa de sal, as vistas são impressionantes, um verdadeiro deserto de sal.


 
 
No solar dormimos em um hotel de sal, é isso mesmo, completamente de sal, as paredes, chão, mesas, camas... Tudo muito simples e não muito bonito, mas a idéia de dormi lá era agradável.




No dia seguinte, seguimos viagem em direção a lagoa colorida, parte do caminho se assemelha com o sertão nordestino, só que rodeado de montanhas nevadas e logo encontramos a lagoa colorida e varias outras, porém, as cores quase não se podia notar, hehehe bem, no inverno faz tanto frio que as lagos congelam completamente, foi ate possível caminhar sobre algumas, em compensação podemos ver muitos flamingos passeando por lá, os coitados que conseguiram resistir ao frio e ao gelo.


 
 
 

Foram três dias incríveis e de paisagens maravilhosas, apesar do frio de doer e três dias sem tomar banho, juro que a falta de banho não foi por opção minha, mas era impossível já que o local quase não havia água e as tinham estavam todas congeladas de tanto frio.


 
 
 
Do Solar fomos visitar Potosi. O único “turistico” na cidade eram as minas por sua precariedade e más condições de trabalhos dos mineiros que trabalham de forma muito rudimentar e sem nenhuma proteção, geralmente você também pode encontrar muitas crianças trabalhando lá. 




Mesmo não gostando muito da idéia de entrar em uma mina fui ver como era. Já na entrada entrei em pânico porque as entradas são minúsculas impossível de se passar em pé, e os caminhos não era muito diferentes, tem lugares que a respiração é super difícil por conta do pó muito fino. Esse foi um passeio mais de amadurecimento pessoal e reflexão. 


 


Por conta das minas em Potosi a venda de dinamite e legalizada e você encontra a venda ate em mercearias.
A vantagem desse tour para os mineiros é que metade do valor que pagamos para as agencias vai para uma organização que usa esse dinheiro para ajudar as famílias que trabalham na mina. 


 
Por alguns imprevistos e motivos de força maior acabamos resolvendo voltar ao Brasil por algum tempo e assim atrasar um pouquinho nossa viagem. Então seguimos para a cidade de Santa Cruz para pegar o famoso trem da morte, juro que fiquei um pouco ansiosa por essa viagem, mas conclusão o trem se chama trem da morte porque muitas pessoas que trabalhavam em sua construção morreram durante o trabalho, assim como aconteceu no Brasil na construção da estrada da borracha e daí ficou conhecido como trem da morte. Essa viagem foi só pra matar a curiosidade e hoje poder dizer que andei no trem da morte, mas a viagem é horrível e desconfortável, o trem esta cheio de vendedores de tudo que você pode imaginar, livros, roupas, óculos, comidas... É um barulho enorme cada vendendo fazendo publicidade de suas mercadorias. Muitos dos que trabalham vendendo no trem são crianças, quer dizer a maioria delas são crianças. Agora aconselharia aos viajantes irem de ônibus.